Pratica comum entre os cristãos é o jejum. Em toda a parte nós vemos, ou mesmo, ouvimos dizer de cristãos realizando esta prática em suas igrejas, em seus momentos devocionais, etc. Porém, percebo que a cada dia que passa, mais os cristãos fazem coisas que, no fundo, nem mesmo sabem o porquê de estarem fazendo. Nosso culto racional (Romanos 12.1) tem se tornado cada vez mais irracional! Muitos sãos os cristãos que, na igreja, jejuam sem nem ao menos saber explicar o propósito do verdadeiro jejum bíblico. Agora faço uma pergunta: “É correto, biblicamente falando, ao cristão jejuar? Isto é, é lógico e bíblico o jejum para o cristão?”
Tentaremos achar uma resposta satisfatória, bíblica e lógica.
Tenho total ciência de que estarei andando sobre o fio da navalha, porém este é meu ponto de vista teológico sobre o tema em questão!
A primeira menção do jejum nas Escrituras encontra-se em Levítico 16.29, onde Moisés entregava as diversas Leis ao povo de Israel. Leis estas que deveriam ser observadas como mandamentos perpétuos.
29. Este é um decreto perpétuo para vocês: No décimo dia do sétimo mês vocês se humilharão e não poderão realizar trabalho algum, nem o natural da terra, nem o estrangeiro residente (Levítico 16.29).
Yon Kipur
É interessante que, até os dias de hoje, os judeus continuam a guardar este mandamento. Ele é conhecido hoje em dia com Yon Kipur (dia da expiação). O Yon Kipur é um dos dias mais importantes do judaísmo moderno (do Hebraico יום כיפור, IPA: [ˈjɔm kiˈpur]). Inicia-se no por do sol que inicia o décimo dia do sétimo mês (Mês de Tishrei) que coincide com Setembro ou Outubro, continuando até o por do sol seguinte. Os judeus tradicionalmente observam esse feriado com um período de jejum de 25 horas e oração intensa.
Proibições
Existem 5 proibições no Yom Kipur:
· Comer (come-se um pouco antes do pôr-do-sol ainda na véspera do dia até o nascer das estrelas do dia de Yom Kipur);
· Usar calçados de couro;
· Relacionamento conjugal;
· Passar cremes, desodorante, etc. no corpo;
· Banhar-se por prazer.
A essência destas proibições é causar aflição ao corpo, dando, então, prioridade à alma. Neste dia, atmbém chamado de Dia do Perdão o povo judeu tem em sua mente que, ao longo de todo um ano o homem comete pecados diversos contra Deus e contra os homens, sendo estes voluntários ou involuntários. O processo da Teshuvá (arrependimento, retorno ao bem) não poderá realizar-se magicamente em um dia. A tradição judia coloca ao mês de EluI, último do ano, como prefácio para ir preparando o homem para a reflexão profunda, até o grande caminho interior. Cedo, nas manhãs de Elul se ouve o som do shofar: Desperta povo!
Uma semana antes de Rosh Hashaná, também durante a madrugada, se dizem as orações que se chamam "selichot" - perdões). O 1º de Tishrei é o grande dia, a base para um ano novo e um novo ano de vida. Depois seguirão nove dias até o dia do perdão. Dez dias, para aprofundar-se dentro de si, afastar o mal, aproximar o bem. O processo chega a sua culminância no dia 10º de Tishrei : Yom Kipur. O jejum - que acompanha todo o dia do perdão - por sua parte não faz milagre. O jejum do dia não sacrifica nada a favor de Deus, sendo que tal idéia seria eminentemente pagã. O que faz é reconcentrar o homem em seu espírito, afastá-lo, por algumas horas, da servidão do homem ao corpo e a suas necessidades (Mais detalhes a respeito do Yon Kipur, vide Wikipédia enciclopédia livre).
Pudemos entender um pouco da origem do Jejum, sendo este dado por Deus através de Moisés, na Lei, e vimos também que a prática do dia da expiação, conforme Levítico 16.29 ainda é observada hoje em dia pelos judeus ortodoxos. É importante ter estes dados em mente, pois se sabemos que a fé cristã tem sua origem em Israel, grande parte de nossas práticas da atualidade vieram de lá também. Sendo que grande parte foram extraídas da Lei de Moisés. Precisamos ter em mente também que, não são apenas os evangélicos que apregoam o jejum, muito menos apenas os judeus. Várias são as causas que levam o homem á jejuar. Exemplo: Motivos médicos, quando necessário se fazer um exame ou cirúrgia que exija um jejum de tantas horas, motivos religiosos como á exemplo das religiões muçulmanas que apregoam o jejum ao pôr-do-sol do mês festivo do Ramadão para que todos os seus pecados sejam perdoados. Os católicos que jejuam na época da Quaresma a fim de que estes possam experienciar os quarenta dias que Jesus jejuou no deserto. Durante esse período é proposto que se abstenham de comer ou fazer algo e que o dinheiro que sobre dessa abstinência seja entregue a boas causas. Enfim, muitas outras religiões também empregam o jejum aos seus seguidores como prática de fé.
Fé e graça
E a parte que nos cabe, isto é, como cristãos que somos?
Esta é uma pergunta interessante, pois já aprendemos a origem do jejum e vimos parte de todas as religiões e motivos que levam o homem á jejuar, porém continua a pergunta: “Devemos nós, os cristãos jejuar?”
O Jejum é um elemento da Lei judaica, da Lei de Moisés que a Igreja Católica incorporou á suas práticas e, mais tarde, as igrejas protestantes copiaram. Na lei de Moisés a palavra jejum não foi mencionada, antes era impregado o termo aflição da alma ou humilhação, dependendo da tradução (Levítico 16.29). Porém o cristianismo é mais do que viver por ditames e regras da Lei Mosaíca, antes é novidade de vida como afirmou o apóstolo Paulo (2 Coríntios 5.17). Enquanto esteve nesta terra Cristo disse:
- 17. Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir.
- 18. Digo-lhes a verdade: Enquanto existirem céus e terra, de forma alguma desaparecerá da Lei a menor letra ou o menor traço, até que tudo se cumpra (S. Mateus 5.17,18).
Guardem bem este detalhe: “até que tudo se cumpra”. Vários textos do Novo Testamento apontam para a Nova Aliança como substituindo a Antiga Aliança que não poderia nos salvar, antes, só nos condenava.
7. Que diremos então? A Lei é pecado? De maneira nenhuma! De fato, eu não saberia o que é pecado, a não ser por meio da Lei. Pois, na realidade, eu não saberia o que é cobiça, se a Lei não dissesse: “Não cobiçarás” (Romanos 7.7).
Basta que estudemos melhor passagens como de Efésios 2.11-22, onde aprendemos que Cristo derrubou o muro que causava inimizade entre Israel e os demais povos, isto é, a Lei (e o jejum fazia parte de lei), ou mesmo os textos como de Hebreus capítulos 7 ao capítulo 10, onde o autor destaca a supremacia da Nova Aliança em relação á Antiga. A lei de Moisés não se aplica a nós cristãos, pois para ela estamos mortos! Cisto já a cumpriu em sua integra.
· 1. Meus irmãos, falo a vocês como a pessoas que conhecem a lei. Acaso vocês não sabem que a lei tem autoridade sobre alguém apenas enquanto ele vive?
· 2. Por exemplo, pela lei a mulher casada está ligada a seu marido enquanto ele estiver vivo; mas, se o marido morrer, ela estará livre da lei do casamento.
· 3. Por isso, se ela se casar com outro homem enquanto seu marido ainda estiver vivo, será considerada adúltera. Mas se o marido morrer, ela estará livre daquela lei, e mesmo que venha a se casar com outro homem, não será adúltera.
· 4. Assim, meus irmãos, vocês também morreram para a Lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerem a outro, àquele que ressuscitou dos mortos, a fim de que venhamos a dar fruto para Deus.
· 5. Pois quando éramos controlados pela carne, as paixões pecaminosas despertadas pela Lei atuavam em nosso corpo, de forma que dávamos fruto para a morte.
· 6. Mas agora, morrendo para aquilo que antes nos prendia, fomos libertados da Lei, para que sirvamos conforme o novo modo do Espírito, e não segundo a velha forma da Lei escrita (Romanos 7.1-6).
Como se não bastasse estarmos mortos para a Lei, Paulo ainda nos diz que:
· 2. Ouçam bem o que eu, Paulo, lhes digo: Caso se deixem circuncidar, Cristo de nada lhes servirá.
· 3. De novo declaro a todo homem que se deixa circuncidar, que está obrigado a cumprir toda a Lei.
· 4. Vocês, que procuram ser justificados pela Lei, separaram-se de Cristo; caíram da graça Gálatas 5.2-4).
Não bastasse isto ainda, se tentarmos seguir a lei, estamos separados de Cristo, isto é, daquele que pode nos salvar. E Tiago ainda nos diz mais, á você que talvez esteja pensando: “Ah, mas é apenas um mandamento, não faz mal nenhum, é algo inofensivo”! Veja o que Tiago diz:
· 10. Pois quem obedece a toda a Lei, mas tropeça em apenas um ponto, torna-se culpado de quebrá-la inteiramente (Tiago 2.10).
Como visto, se procurarmos obedecer algum mandamento da Lei, somos obrigados a cumprir toda a lei de Moisés, sob pena de transgredirmos ela.
Razões para Jejuar.
Ao longo dos anos os teólogos criaram razões pelas quais devemos jejuar. São muitas as razões, porém, será que devemos mesmo jejuar? Cristo Jesus disse, certa vez:
· 15. Jesus respondeu: "Como podem os convidados do noivo ficar de luto enquanto o noivo está com eles? Virão dias quando o noivo lhes será tirado; então jejuarão (S. Mateus 9.15).
Veja, Cristo disse que enquanto o Noivo, isto é, Ele mesmo, estiver com os convidados, á saber, seus discípulos, eles não poderão jejuar. Nós somos os discípulos da atualidade e Cristo Jesus está conosco todos os dias, conforme Ele mesmo prometeu (S. Mateus 28.20). Enquanto Cristo estiver conosco, não poderemos jejuar, pois foi isto o que o próprio Cristo declarou. Ele disse que seus discípulos apenas jejuariam quando o Noivo fosse tirado, isto é, morto! Enquanto esteve no túmulo, os discípulos de Cristo sofreram e afligiram suas almas pela perda e agonia da morte de Jesus. Eles jejuaram conforme a palavra de Jesus. Dentre as muitas razões para se jejuar, destacamos o seguinte:
O jejum para se buscar a vontade de Deus em assuntos específicos.
Isto não é uma realidade para nós hoje. Embora os israelitas jejuassem quando necessitavam de respostas á questões delicadas, nós, hoje em dia, temos a Palavra de Deus para nos guiar. É ela que deve nos orientar nas questões de nossa vida diária, pois somente ela é a lâmpada que nos guia (Salmos 119.105).
O jejum para arrependimento de pecados.
A palavra de Deus diz que se pecarmos, nós devemos confessá-los (1 João 1.9; Tiago 5.16), não jejuar. Diz também, que se pecarmos Cristo Jesus nos purifica de todo pecado mediante seu sangue (1 João 1.7).
O jejum para libertação ou proteção de Deus.
Não precisamos passar fome para termos proteção da parte do Pai, pois Cristo Jesus é aquele que intercedo por nós (1 João 2.1) sendo também aquele que nos protege (S. João 10.28,29). Lembrando também que para termos proteção contra Satanás, a Bíblia nos manda nos revestir das armaduras de Deus (Efésios 6.10-17) e não jejuarmos. Fora isso, as Escrituras ainda declaram que o maligno não toca aqueles que nasceram de novo e são protegidos por Deus (1 João 5.18).
O jejum para humilhar-se diante de Deus.
Quando conhecemos as Escrituras Sagradas aprendemos que não necessitamos jejuar para nos humilharmos diante de Deus, pois isto não requer passarmos fome, antes é um mandamento de Deus a nós (Tiago 4.10; 1 Pedro 5.6).
Jejum para obtermos o favor de Deus, bênçãos da parte de Deus.
Já recebemos toda a sorte de bênçãos espirituais em Cristo (Efésios 1.3). Não somente isso, mas o apóstolo Paulo ainda nos diz que se esperamos em Cristo apenas para esta vida, somos os mais miseráveis dentre os homens (1 Coríntios 15.19).
Já recebemos toda a sorte de bênçãos espirituais em Cristo (Efésios 1.3). Não somente isso, mas o apóstolo Paulo ainda nos diz que se esperamos em Cristo apenas para esta vida, somos os mais miseráveis dentre os homens (1 Coríntios 15.19).
Jejum para vencermos demônios que de outra maneira não saem.
Quando Jesus disse que determinada casta de demônios só saia com jejum e oração (S. Mateus 17.21) não significa que precisamos, hoje em dia, jejuarmos e se por acaso não estivermos em jejum quando formos expulsar algum demônio precisamos temer. Nada disso! Quando Jesus disse isso ainda não havia ido á cruz, ainda não havia consumado sua obra, portanto a única maneira do homem se aproximar de Deus era através de jejum e oração, porém depois do véu rasgado (S. Mateus 27.51) e sua obra consumada, Cristo nos garantiu a reconciliação com Deus (Gálatas 5.1) e com isto não necessitamos mais jejuar para combater Satanás e seus demônios. Cristo já nos deixou uma nova estratégia ao dizer: “em meu nome expulsarão demônios;” (S. Marcos 16.17).
Se tudo o que o jejum pode fazer, já temos em Cristo, por que precisamos jejuar? Não seria mais digno de nossa parte se colocássemos nossa fé em Cristo Jesus? Porém, é mais fácil crer em um jejum do que crer em Jesus. Na verdade, muitas – e digo muitas mesmo! – vezes não temos fé em Jesus!
Neste caso, qual deveria ser o jejum reservados a nós, cristãos?
O mesmo descrito por Isaías e Tiago:
· 6. "O jejum que desejo não é este: soltar as correntes da injustiça, desatar as cordas do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e romper todo jugo?
· 7. Não é partilhar sua comida com o faminto, abrigar o pobre desamparado, vestir o nu que você encontrou, e não recusar ajuda ao próximo? (Isaías 58.6,7)
· 27. A religião que Deus, o nosso Pai, aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo (Tiago 1.27).
Este jejum está meio em falta hoje em dia! Que tal começá-lo hoje mesmo? Vamos juntos!


ótima dissertação, só faltou acrescentar Atos 13.2,3, II Corintios 6.5 e II Corintios 11.27
ResponderExcluirOs jejuns mencionados por Paulo trata-se de passar fome por Cristo e não jejuar para receber algo. Atos 13:2,3 realmente mostra um Jejum com oração. Não é um mandamento para a igreja jejuar, mas é algo a ser ponderado. Por que jejuaram?
ExcluirOs apostolos também lançaram sorte para a eleição de um substituto para Judas Iscariotes. Hoje temos que lançar sorte? Pode ser que este Jejum de Atos 13 seja uma citação histórica e não um mandamento, mesmo assim é melhor analisar bem todo o contexto. Não estou mçuito seguro sobre este assunto.
ExcluirLegal gostei muito. Bem explicado.
ResponderExcluirmuito boa sua explicação mostrando várias passagem bíblica mas se esqueceu de menciona a passagem de Mateus cap. 4 quando Jesus jejuou ele era o próprio Deus mas tinha vindo com uma missão como homem porque que ele jejuou em? eu analisando o que VC falou encontrei um erro fora esse? tem coisas Deus só revelar a quem busca a ele asim como esse erro de dizer os cristãos não precisam jejuar muitos que dizem que não precisam orar? só faltava VC dizer isso?
ResponderExcluirFoi isso que eu pensei além do mais Jesus disse que não veio abolir a lei e sim cumpri-las
ExcluirJesus Jejuou por que estava sob a Lei.
ExcluirEntão para a santificação Pessoal basta oração e meditação nas escrituras?
ResponderExcluirSalmos 119: 9. Como pode um jovem conservar puro o seu caminho? Vivendo-o de acordo com a tua Palavra
ExcluirNada santifica a não ser a Palavra
bom dia depois da morte de jesus toda lei foi cumprida entao nao podemos viver na lei mais sim no espirito santo que Deus nos concedeu se jesus morreu por meus pecados e derramou seu sangue por mim por que devo fazer sacrificios jenjuar e um sacrificio entao a morte do meu mestre foi em vao jesus disse que veio cumprir a lei ela foi cumprida na sua morte entao nao existe mais a lei para o cristao sim adorar louvar o nome do nosso senhor jesus
ResponderExcluirMUITO MARAVILHOSO IRMÃO.. AS PESSOAS TEM DIFICULDADE DE ENTENDER O ÓBVIO PQ MUITAS VEZES NÃO SEGUE OS SEUS PRÓPRIOS INTERESSES. JESUS É A PALAVRA, JESUS É VIDA! ALELUIA!!! VEM SENHOR JESUS. :)
ResponderExcluirO povo de Israel é um povo prospero porém eles acreditam tanto no Novo como no velho testamento porque para Deus a Bíblia e única. Já esta acontecendo tanta coisa em Israel que são profecias do velho testamento ex:A água do Mar Morto estao se tornando doce
ResponderExcluirSó uma observação. Mateus 17.21 a palavra Jejum foi acrescentado. Não existe no original grego e nem na bíblia de Jerusalém.
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